Regime

“Estás mais magra!”
“Emagreceste?”
“Apesar de magra, estás com bom aspecto.”
Esta última frase veio de uma pessoa que é normalmente muito negativa, pelo que foi o melhor que poderia ter dito.
Mas estas frases têm-me vindo a perseguir diariamente desde o fim de Julho.
O que é que fiz? Aceitei o desafio proposto por Robb Wolf, autor do livro The Paleo Solution. Neste livro, que recomendo vivamente, ele propõe que sigamos o regime (estilo de vida, mais propriamente) durante 30 dias. Depois verificamos se nos sentimos fisicamente melhor, ou não. Se tudo continuar na mesma, então que continuemos como quisermos. Mas se realmente sentirmos os efeitos benéficos do regime, então talvez possamos pensar seriamente em alterar a forma como comemos.
Toda a vida sofri de horríveis enxaquecas, não me lembro nunca de um dia em que não me doesse a cabeça, umas vezes mais violentamente do que outras.
O meu aparelho digestivo também nunca foi dos melhores. Já por volta dos 15 anos o médico me falava em colite crónica, as gastrenterites foram mais que muitas e o fígado e vesícula juntavam-se à  festa.
No dia 15 de Junho comecei os meus 30 dias. E ainda não parei. Porquê? Porque, não só a minha barriga começou a desinchar visivelmente, mas a cabeça deixou de doer!! Desde então tive duas enxaquecas leves, mais que suportáveis. Ao mesmo tempo sinto-me fisicamente muito melhor, muito mais cheia de energia.
Em que se baseia este regime? Estudos da evolução do ser humano chegaram à  conclusão que os hábitos alimentares introduzidos pelo neolítico não são adequados ao corpo humano. De certa forma foram o princípio da decadência. Quer isto dizer que me alimento da mesma forma que o homem do paleolítico? Não. Não estou a fazer nenhuma recriação histórica. Simplesmente procuro comer os alimentos que eram a base da alimentação desse período, o mais naturais e menos processados possível.
Há muita coisa escrita sobre este tema. A seguir deixo alguns links para alguns sites e para o Youtube, que poderão esclarecer as pessoas muito melhor do que eu.
Sites recomendados:
http://robbwolf.com
http://everydaypaleo.com
http://www.marksdailyapple.com/#axzz2ZiJq7quF
http://www.gnolls.org
http://balancedbites.com ==========> Tem uns bons guias em PDF
http://www.thepaleomom.com
http://nomnompaleo.com
http://www.primalpalate.com
Recomendo também os seguintes livros:
The Paleo Solution
Practical Paleo
Paleo Coach
Para além destes há muitos outros, entre os quais livros de receitas óptimos. É, no entanto, preciso ter cuidado porque há também bastante porcaria à mistura.
Entre os meus livros de receitas favoritos estão os seguintes:
Everyday Paleo Around the World: Italian Cuisine
Everyday Paleo Family Cookbook: Real Food for Real Life
Everyday Paleo
Well-Fed
Make it Paleo: Over 200 Grain Free Recipes For Any Occasion
The 30 Day Guide to Paleo Cooking: Entire Month of Paleo Meals
Gather, the Art of Paleo Entertaining
Against All Grain: Delectable Paleo Recipes to Eat Well & Feel Great
Estes dois últimos ainda não tenho, mas estão na minha wishlist.
A autora do Against All Grains conta aqui como recuperou a saúde com o regime. É uma história impressionante. Muitos outros sites têm testemunhos incríveis, nomeadamente o site do Rob Wolf a que já tinha referido.
Muitos outros testemunhos vão aparecendo aqui e ali.
Há pouco tempo vi este que também é interessante. Devo dizer que nunca vi ninguém falar em público com uma cara de pau tão grande, mas o que ela conta é importante:
Dr. Terry Wahls: Minding Your Mitochondria
Estes podcasts são também bons para um melhor entendimento do assunto:
Paleo Lifestyle and Fitness (no episódio 52 fala-se de como alguns organismos federais norte-americanos começaram a interessar-se por este regime pois o número de doenças no seu pessoal está a levar a um elevado número de despesas).
Balanced Bites
The Paleohacks Podcast
The Paleo View
Rob Wolf – The Paleo Solution
Latest in Paleo
De vez em quando vão surgindo notícias paralelas que de certa forma estão relacionadas com este tema, como é o caso do pedido de desculpas público deste cardiologista:
Heart surgeon speaks out on what really causes heart disease
Este artigo já vai muito longo, mas sinto que está bastante incompleto. De qualquer forma fica aqui porque já estava prometido há muito tempo.
Fica também o compromisso de voltar ao tema, incluindo alguns dos menus do que vou comendo no meu dia-a-dia.

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16 thoughts on “Regime

  1. Adoro a parte dos menus….
    Fico a aguardar!
    Obrigada pela partilha!

  2. A dieta do momento, confesso que já li sobre ela apesar de nada passar de historias pessoais já que não foi feito nenhum estudo cientifico sobre o mesmo. Penso que deixar as comidas ultra-processadas, diminuir as doses e comer mais frutas e vegetais é bastante intuitivo quanto aos grãos (arroz,massa…) e leguminosas (porque o ódio ao feijão!? 😉 ) já não percebo bem. Comer com moderação e aquilo que nos faz sentir bem devia ser a única dieta necessária. Também recebo o comentário do “estás mais magra”, muitas vezes seguido do “estás doente?”, deixei de beber leite só bebo muito esporadicamente e não é que a sensação de inchaço e mau estar parece que estava ligado á má digestão da lactose. Com essa alteração aliada ao controlo de porções e variando mais entre peixe, carne e pratos vegetarianos perdi imenso peso mas não me consigo convencer ao paleo, ninguém me tira o feijão! 😉
    Estás com óptimo aspecto e vê-se que mais importante que isso com mais energia e com um ar muito mais saudável! Os comentadores negativos que se danem todos.

    ps: Apesar de reticente quanto ao paleo vou espreitar todos os links daqui que não conheço mal não faz e quanto mais informação, melhor.

  3. Em relação aos estudos tens aqui alguns links:
    http://robbwolf.com/what-is-the-paleo-diet/science-research/

    Quanto às leguminosas há imensa coisa escrita (os livros que referi falam delas). Uma rápida busca levou-me a estes artigos:
    http://www.livestrong.com/article/448146-why-are-legumes-not-a-paleo-food/
    http://paleodietlifestyle.com/beans-and-legumes/
    Ainda não os li.
    Eu noto imediatamente a diferença se como alguma coisa com leguminosas (mesmo feijão verde já muito graúdo me faz um mal incrível). Há pessoas mais sensíveis do que outras. Há quem argumente que as mais sensíveis têm mais sorte porque mais rapidamente evitam o que lhes faz mal.

  4. Quando disse estudos seriam vários peer-reviewed com grupos grandes de preferência com o método “double-blind placebo”. Muitos dos estudos indicados no site do autor não são especificamente sobre a dieta mas sim sobre pequenas porções da mesma, pelo que já li. Gostava de ler algo sério que tirasse as teimas, penso que é importante a informação ser clara ao máximo e na minha opinião ainda nada é claro no que toca a esta dieta. Não digo que não faça a diferença e que para muitas pessoas que levam uma alimentação ao estilo americana este novo estilo de alimentação não seja revolucionário. Mas a maioria do que o autor diz é senso comum.
    Quanto ás leguminosas quando estive a ler sobre os vários problemas que podem surgir dependendo do tipo de feijão quase todos os problemas podia sem minimizados ou até eliminados com a fermentação e/ou o “por de molho” em água tépida durante algumas horas (teria que procurar as fontes não tenho nada aqui á mão).

  5. Alguns dos estudos são peer-reviewd mas não os li para saber os métodos. Um dos links que te mandei fala da fermentação que pode reduzir os malefícios das leguminosas, não as tornando no entanto um alimento de excelência.
    Onde me inspirei mais devo dizer foi nos testemunhos de muitas pessoas que viram a sua saúde melhorada de uma forma espectacular com a alteração do regime, como o caso da médica que fez a apresentação no TED.
    Eu só falo por mim. Os meus intestinos e a minha cabeça agradecem. 🙂

  6. Depois de escrever reli tudo e queria acrescentar. Não quero parecer que estou na defensiva, sinceramente não estou. Gosto de saber o mais possível e vou ler todos os links daqui e tentar tirar conclusões no melhor das minhas habilidades.
    Tenho aversão ao preto e branco e gosto de saber o máximo sobre um tema e depois ver na pratica os seus efeitos. A minha opinião é só a minha opinião e com ela não quero nem penso que vou desencorajar ninguém a comer como acha que é melhor para o seu corpo.
    Conheço mais pessoas que adoptaram esta dieta e não podiam estar mais contentes e ainda bem que finalmente encontram uma solução para problemas como enxaqueca e mau estar generalizado.

  7. Eu entendi perfeitamente a tua posição e acho que é certa.
    Devo dizer que só escrevi este post porque as pessoas me perguntam constantemente o que tinha feito. Foi uma forma de não me repetir constantemente.

  8. e eu vou começar as ver os links.
    cada vez tenho mais dores de cabeça e sinto que estão mesmo associadas àquilo que como e a nenhuma outra coisa

  9. Esperemos que brevemente. Não vamos esperar pelo nosso almoço-jantar.

  10. O meu inglês é muito mauzinho para ler todos estes artigos. É certo que seriam um bom treino, mas não vou lá. Podes indicar quais são no geral, os alimentps menos aconselhados?

  11. Os alimentos desaconselhados são: cereais, leguminosas, lacticínios (com excepção da nata gorda e da manteiga), óleos vegetais (com excepção do azeite e óleo de coco), batata branca (a batata doce pode comer-se).

    Os alimentos aconselhados são: carne, peixe, ovos, vegetais, frutos, bagas, frutos secos, algas.

    Nesta página encontram-se uns guias bastante jeitosos que são de leitura fácil pois são uma enumeração de alimentos. Têm também mais informação para pessoas que sofrem de alguns problemas mais específicos, como doenças auto-imunes e problemas intestinais graves.
    http://balancedbites.com/useful-guides

  12. Obrigado pela resposta. Apesar do inglês ser mau, li alguns artigos e o que diz foi a conclusão a que cheguei. Nada mau. Surgem-me no entanto algumas dúvidas, que lhe vou deixar para ver se me ajuda novamente. Cereais: o pão, mesmo o integrável está excluído? Como ao pequeno almoço muesli que compro no celeriro. Tb fica excluído? Se retirar isto e o leite que me pareceu tb ser desaconselhado, o que me sobra ao pequeno almoço? A soja e leite de soja, segundo entendi do que li, tb me pareceu desaconselhado. Que beber por causa do cálcio? Na minha idade (50) é bem necessário. Que tal fazer um post com um exemplo das suas refeições para nos orientar? tb sofro de problemas como barriga iinchada, mal estar generalizado em especial após as refeiç~i

  13. Sim, quaisquer cereais são desaconselhados. A soja é uma leguminosa e além disso transgénica. Totalmente indesejável. Assim que tiver mais disponibilidade porei aqui algumas refeições. Na maior parte das vezes, quando não tenho tempo ou não planeei, como ovos mexidos com presunto ou com bacon, brócolos cozidos, uma peça de fruta e café ao pequeno almoço. Muitas vezes como restos do jantar. Os cereais integrais, sobretudo para quem tem as paredes dos intestinos fragilizadas, ainda são piores do que os outros. Mas cada um sabe de si. Eu experimentei durante 30 dias e não quis voltar atrás. Sinto-me tão bem que nem vontade de fazer batota tenho. Muitos vegetais e frutos contém cálcio em abundância. O peixe e o marisco também. Quanto mais variada e mais colorida for a nossa alimentação melhor.

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