Rotina Matinal

Acredito piamente que a forma como o dia começa determina a forma como o resto do dia vai decorrer.
Se acordo tarde e só tenho tempo para me arranjar à pressa antes de sair a correr para ir apanhar o comboio, o dia está praticamente condenado. Só com muito esforço o consigo endireitar.
Assim, ao longo dos tempos, fui criando uma série de hábitos que formam a minha rotina matinal. Muitas vezes faço acertos, modifico certas coisas, elimino umas e troco a ordem de outras. De vez em quando introduzo novidades.
Uma coisa é certa, sempre que sigo a minha rotina estabelecida fico cheia de boa disposição e energia para o resto do dia. A vida corre-me melhor.
De momento a minha rotina incorpora os seguintes passos:

  1. Assim que acordo lavo a cara, lavo os dentes e bebo um copo grande de água. Confesso que é a custo, porque não gosto de beber tanta água, mas sinto que me faz bem e é bom reidratar o corpo logo pela manhã.
  2. Sento-me em silêncio durante uns minutos. Este ano que passou li uma data de livros sobre os benefícios da meditação. Um dos últimos livros que li (audiobook) sobre o assunto foi o 10% Happier de Dan Harris. É um livro bem engraçado e ao mesmo tempo interessante.
    Mas mesmo só estar sossegada e em silêncio traz os seus benefícios. Tenho imensa dificuldade em estar quieta, sem fazer nada. Para mim, mesmo só 10 minutos são um treino extenuante.
  3. Faço alguns exercícios de ginástica. Outra coisa que nem sempre me apetece, mas que a seguir me faz sentir melhor.
  4. Tomo duche e visto-me.
  5. A seguir vem a parte de que gosto. Primeiro faço uma maravilhosa chávena de café (um Lungo da NESPRESSO) e sento-me a escrever. E escrevo desalmadamente. Há muitos anos li o livro The Artist’s Way de uma autora chamada Julia Cameron. Nele, ela faz a apologia do que chama Páginas Matinais. Mais recentemente voltei a ler sobre o assunto num pequeno livro da mesma autora chamado The Miracle of Morning Pages.
    Eu tenho a minha versão dessas páginas matinais. Uso o meu editor de texto favorito (Ulysses) e escrevo 500 palavras. O programa permite estabelecer um número de palavras como objectivo. Quando o atingimos, há um círculo no campo superior direito que fica verde.
    Sobre o que é que escrevo? Sobre tudo o que me vem à cabeça. A ideia é despejar o cérebro, escrever sem parar, sem hesitações, sem preocupações com o estilo ou a coesão textual. E depois não se lê o que se escreve. Pelo menos durante uns 3 meses. Lá para Abril, se me apetecer, leio o que escrevi em Janeiro.
    Mas a escrita não fica por aqui. Depois deste assunto arrumado, abro o meu programa favorito, o Day One, e escrevo o meu diário. Aqui, como já escrevi tudo o que tinha na cabeça no exercício anterior, uso uma série de perguntas que faço aparecer como por magia, usando uma outra aplicação maravilhosa: TextExpander. As perguntas que uso são inspiradas no Five-Minute Journal, às quais acrescento mais umas da minha lavra. Ao responder a essas perguntas preparo o meu dia, faço planos sobretudo. No fim das perguntas tenho uma nota para me lembrar de consultar o meu task manager (OmniFocus) e o meu calendário para ver o que tenho agendado para o dia. É a forma ideal de não ser apanhada desprevenida pois, mesmo tendo trabalhado com os dois na véspera à noite, de manhã não me lembro do que tenho planeado.
  6. Por fim, leio. Idealmente durante meia-hora. Mas nem sempre tudo corre à velocidade de cruzeiro. As distracções atrasam-me frequentemente. Leio um ou dois livros. E sobre os livros hei-de escrever noutro post. Mas neste momento estou a ler o Flow de Mihaly Csikszentmihalyi.
  7. Depois de ler, saio para apanhar o comboio. Ao fim-de-semana faço outras coisas. Hoje pus-me a escrever este texto.

Poderão reparar que não falo em pequeno almoço. Mas isso é uma história para outro dia.