De volta ao primeiro M

Mind

Pensei começar por escrever mais sobre o primeiro ponto: mindful.

Ser mindful é em primeiro lugar viver com intencionalidade.

O tempo foge

Todos nós nos queixamos de que o tempo corre depressa de mais. A mim sempre me fez muita impressão esta pressa. Sempre senti que, em vez de viver, a vida passava por mim e eu estava a ser vivida.

Ser mindful é uma forma de tomar as rédeas e passar a ter um papel activo em vez de passivo. É também uma forma de travar o tempo.

Lembro-me do desespero do dia 26 de Dezembro quando era criança. Faltava tanto para o Natal! Parece-me que em criança vivemos mais no tempo presente e por isso abrandamos a passagem do tempo. Cabe mais vida em cada momento, em suma vivemos mais.

Na idade adulta tem-se a tendência de olhar para trás e estar constantemente a viver no passado, de uma forma saudosista. Em igual medida vivemos a olhar para a frente, a pensar no futuro. Raramente olhamos para o agora, raramente vivemos no presente. E paradoxalmente o presente é o único momento em que podemos viver.

Travar o tempo

Mas o que fazer para viver mais? Para poder aproveitar e saborear cada momento há várias coisas que podemos fazer. Em primeiro lugar há que retomar as rédeas e tornarmo-nos donos do nosso tempo. No livro De Brevitate Vitæ (Sobre a brevidade da vida), Séneca refere que somos muito pouco cuidadosos com o nosso tempo e de uma forma descuidada deixamo-nos roubar como se o tempo fosse infinito. E no entanto é o bem mais precioso e limitado que temos.

Para tomarmos as rédeas temos que saber eliminar tudo o que está a mais e nos rouba tempo. Isto está interligado com o segundo M, minimal.

Ao eliminarmos o desnecessário da nossa vida, em bens materiais, hábitos, pessoas, ficamos com mais tempo para nos dedicar ao que realmente importa. Ganhamos tempo para o que realmente interessa. Ao tornarmo-nos mais conscientes da importância do tempo e de como o gastamos, tornamo-nos mais cuidadosos, mais zelosos, e não permitimos que seja desbaratado, nem pelos outros nem por nós mesmos.

Literatura sobre mindfulness

Há muita coisa escrita sobre mindfulness. Está hoje em dia muito em voga, até. O seu uso na medicina foi bastante popularizado por alguns autores, entre os quais se destaca Jon Kabat-Zin como os livros Full catastrophe living: using the wisdom of your body and mind to face stress, pain, and illness, Wherever You Go, There You Are: Mindfulness Meditation in Everyday Life, Coming to Our Senses: Healing Ourselves and the World Through Mindfulness e The mindful way through depression: freeing yourself from chronic unhappiness (co-autor).

Recentemente li o livro 10% Happier, de Dan Harris, em que o autor relata as várias experiências que fez para tentar ganhar controlo da sua vida.

Outro livro que li foi The Practicing Mind, de Thomas M. Sterner. Neste livro o autor relata uma experiência muito engraçada em que aparentemente conseguiu abrandar o tempo. No seu trabalho de afinador de pianos, antes dum concerto dum pianista de renome, resolveu trabalhar com a máxima concentração e mindfulness, fazendo cada movimento com precisão e vagar. Julgou que por isso teria demorado muito mais tempo do que o habitual, mas acabou por descobrir que pelo contrário tinha demorado muito menos!

Um autor que tem muitos livros escritos sobre o assunto e que vale a pena ler é Thich Nhat Hanh.

Meditação

Uma das práticas mais comuns para treinarmos o nosso cérebro para ser mais mindful é o da meditação. Nunca gostei deste nome porque para mim meditar é de certa forma concentrarmo-nos em algo, reflectir, pensar. A prática de meditação não é para isso. É mais para nos treinarmos simplesmente a parar, a estar no momento presente, a ser.

Há muita coisa escrita sobre o assunto e diversos estudos demonstram como esta prática altera algumas zonas do cérebro relacionadas com a capacidade de aprender, a memória, a regulação das emoções, o conceito de EU, a capacidade de pôr em perspectiva.

Em resumo, a prática da meditação pode aumentar o bem-estar e a qualidade de vida.

 

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