2507

Padlock_Skeleton_Keys

No blog Wait but why, Tim Urban, em diversos posts (The End Tail, Your Life in Weeks) mostra-nos visualmente quão pequena é a nossa vida, quão pouco é o tempo que nos sobra, mesmo que vivamos até aos 90 anos.

Só para terem uma ideia, se eu viver até aos 100 anos, só vou passar mais 11 vezes pelo dia 29 de Fevereiro!

Estamos de volta ao Séneca e a sua De Brevitate Vitae.

Depois de ter lido ontem o artigo sobre as semanas que me restam até ao fim da minha vida, pus-me a pensar que já que é tão pouco não o posso desperdiçar em maus momentos. Todos tem que ser bons, nem que seja à força. Isto faz-me lembrar um título de um livro que há uns tempos vi: Furiously Happy (Jenny Lawson).

São inúmeras as vezes que li, ou vi em filmes, alguém dizer que não está “propriamente a defender uma atitude de Pollyanna.” E eu pergunto: porque não? Quando era pequena gostava imenso da série que dava na televisão e queria ter os cabelos como os da protagonista.

Procurar gozar cada momento, independentemente das circunstâncias, não é enterrar a cabeça como as avestruzes para não ver a realidade. É procurar apreciar o que há de positivo em cada situação. Os budistas dizem que a dor é inevitável, mas o sofrimento não.

Um problema que as tricotadeiras não têm é esperas longas e trânsito entupido. Antes pelo contrário, por vezes protestamos porque os médicos não se atrasam e o autocarro chega demasiado cedo. Sabem-nos tão bem esses momentos oficiais de seca.

Ontem estive mais de cinco minutos para conseguir que a chave rodasse numa fechadura. Resolvi pôr em prática a minha ideia de gozar o momento. Comecei a pensar que gostaria de perceber bem com é que uma chave abre uma fechadura, o que acontece para que por vezes tenhamos dificuldades em abrir uma porta porque a chave não roda, etc. e tal. A certa altura dei por mim a ver-me a abrir aqueles cofres com fechos rotativos. Lá estava eu com a orelha encostada à porta do cofre, a rodar o fecho lentamente… Pois… O que me vale é que tinha ido cedo para a aula, se não ter-me-ia atrasado imenso porque a imaginação de uma pessoa com a propensão para se distrair (só um poucochinho) é algo de perigoso.

Mas a verdade é que fiquei de bom humor quando normalmente teria ficado irritada com a chave, a fechadura e a porta. Não é que elas se importassem muito, mas entrar para uma aula com a disposição já azeda não é o mais justo. É meu princípio dar sempre a oportunidade aos meus alunos de serem eles a irritarem-me.

Na verdade, procurar ver os aspectos positivos de cada momento até que é uma maneira simpática de viver.

 

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2 thoughts on “2507

  1. Que texto maravilhoso Cristina, obrigada! bjinhos

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