Os meus Panama Papers

encomenda

A encomenda

A Filomena é uma amiga que faz parte do “trio maravilha”, mais conhecido por Clube Português do Fio. A marca dela é Yarn Adventures. Os fios que pinta são fantásticos. Uma das écharpes que mais uso foi feita com um fio que lhe comprei há alguns anos.

Há uns tempos cobicei uma meada que vi pintada por ela. Uma outra amiga tinha recebido uma encomenda em que vinha a tal meada. Adorei. Uma cor que gosto muito, à volta de azul petróleo, e no fio que mais gosto: sock em 100% BFL.

Na semana passada a Filomena disse-me que ainda tinha uma meada dessa cor e perguntou-me se a queria. Disse-lhe imediatamente que sim. Ela deu-me o NIB e disse-me a quantia que eu deveria transferir para pagar a meada.

Quando fui tratar da transferência, deparei-me com uma situação desagradável: o saldo do banco estava negativo!!

Estive então a verificar bem as minhas contas. É que nos últimos 3 meses tenho falhado.

Passado

Até aos 20 anos, mais ou menos, fui muito certinha com as minhas contas. Poupava, contribuía, e os meus gastos eram todos pensados. Depois não sei o que se passou e comecei a gastar dinheiro sem cuidado nenhum. E continuei assim por muito tempo. Comprava sobretudo, se não exclusivamente, livros.

Mais tarde, quando o meu filho era pequenino, tive problemas com gastos inevitáveis, sobretudo com questões de saúde. Coisas que uma pessoa que tivesse controlado os seus gastos poderia achar pesado, mas não crítico. Eu, no entanto, estava totalmente desprevenida e acabei por recorrer ao crédito. E, como é habitual, o crédito é como uma rampa inclinada. Fui-me enterrando cada vez mais. Acabei por não conseguir pagar as minhas contas e tive que recorrer à ajuda da minha mãe. E mais uma vez, outro plano inclinado. O que era suposto ser uma situação pontual acabou por ser uma situação normal que durou mais de dois anos, creio eu. Os dois últimos anos em que o meu filho esteve no colégio foi a minha mãe que pagou a mensalidade.

Toda esta situação teve os seus efeitos em mim, quer psicológicos, quer físicos. Por três vezes estive com crises grandes de depressão e embora os médicos dissessem tratar-se de um desequilíbrio químico, eu acho que o estado de constante tensão em que vivia contribuiu muito para isso.

Resolvi então recorrer a uma consolidação de crédito (porque já tinha dívidas em vários cartões e uma linha de crédito) para pagar as dívidas e ficar só com um pagamento mensal. Era um pagamento pesado mas eu comecei a endireitar-me. No entanto, não tinha muita margem de manobra. E alguns problemas de saúde fizeram com que tivesse que recorrer novamente aos cartões de crédito. Não me lembro mesmo o porquê. De qualquer forma, aos pouco estava a conseguir ir fazendo pagamentos para ir pagando esses cartões.

Mais recentemente comecei a ver a luz ao fundo do túnel (e não, não era um comboio). Mas infelizmente, ou felizmente, tive uma recaída. Neste caso, o motivo foi bom.

Já há cerca de 10 anos que eu partilhava a casa para poder dividir as despesas. O meu sonho era poder viver numa casa minha, independente. No entanto, as despesas eram muitas. No ano passado a pessoa com quem eu dividia a casa disse-me que pretendia sair e arranjar uma casa para ela. Eu nessa altura estava, de acordo com os meus planos de recuperação, a 2 anos de conseguir tornar-me independente e a 3 anos de pagar todas as dívidas.

Foi um choque saber que teria que arranjar uma solução para viver com todo o aumento de despesas que daí resultasse. Só o facto de ter que arranjar duas rendas e meia para fazer o contrato de arrendamento da casa nova me parecia impossível de resolver.

A única solução que arranjei foi a de renegociar a dívida com o banco. E estas coisas têm custos muito pesados. Voltei quase à estaca zero e fiquei a 8 anos de pagar a minha dívida. Além disso, passei a ter despesas a dobrar.

Devo dizer que acho que nunca fui tão feliz como desde que tenho uma casa minha. Todos os dias agradeço ter arranjado uma casa que é mais do que conveniente para as minhas necessidades, quer em tamanho, condições e localizações. Não desejo nada de melhor.

No entanto as despesas da renda, o empréstimo, os cartões e tudo o mais pesam muito. Fui pagando sempre as dívidas, e resolvi pagar dois cartões de crédito por inteiro. Fechei também a conta do banco onde tinha esses cartões pois todos os meses pagava comissões de manutenção da conta.

Fiquei bastante mais aliviada quando fiz isso mas esgotei todas as minhas reservas. Conseguia sobreviver com as despesas muito contidas e com o dinheiro do subsídio de férias de Junho e o retorno do IRS distribuído pelos 12 meses do ano. Claro que todos os cortes de ordenado e supressões de subsídios durante os últimos anos não contribuiu nada para aliviar esta situação. Mas estava, como disse, a conseguir sobreviver. Só que não tinha fundo de maneio nenhum. O mínimo percalço afectava o equilíbrio precário. Um problema de saúde, mais uma vez, fez com que tivesse um gasto inesperado que esgotou todas as reservas e fizeram com que novamente tivesse que recorrer a cartões de crédito.

A situação neste momento é a de todos os meses ter de pagar uma quantia para dois cartões e o empréstimo do banco. O orçamento é tão apertado que acontece é gastar o ordenado assim que o recebo no pagamento das despesas mensais. E mesmo assim, aquilo que pago nos cartões acabo por voltar a gastar. Enquanto aguardo pelo retorno do IRS e pelo subsídio de férias para me reequilibrar, é chapa ganha e chapa gasta.

Muitas das vezes é a minha mãe que me ajuda na comida. Não faço praticamente despesas nenhumas para além dos pagamentos de contas e comida. Estou já há uns anos a precisar de ir ao dentista, ao oftalmologista e a outros istas, mas não consigo ir porque não tenho dinheiro para as consultas.

No entanto estava optimista em relação a esta situação. Embora apertada a situação, lá ia sobrevivendo. Por vezes recorri à venda de livros ou de lãs (as minis) para conseguir fazer face às despesas.

Infelizmente caí na asneira de parar de fazer as minhas contas mensais no meu programa favorito. O meu raciocínio era achar que não valia a pena porque mal recebia gastava tudo. O problema é que isso fez com que me esquecesse de algumas despesas, especialmente as que não são regulares (mensais). Este mês pensei que estava mais à vontade e pela primeira vez em algum tempo fiz um gasto desnecessário. Comprei umas canetas e acessórios (a loucura do material de papelaria). Ora isso levou à situação presente: o saldo negativo.

Fui então investigar as minhas contas e foi um balde de gelo: não só estou com saldo negativo, mas há diversas contas mensais que não paguei. Algumas já não é a primeira vez que não pago. Como as contas são descontadas por débito directo não me apercebi disso. E também não paguei um dos cartões de crédito. Além disso devo algum dinheiro ao meu filho, ao pai dele, e a um dos meus irmãos. E eu detesto estar a dever dinheiro, embora não pareça! Conclusão, estou num buraco muito fundo.

Só no fim do mês de Junho é que receberei o subsídio (espero) e o retorno do IRS. Até lá preciso de resolver esta situação urgente. Tenho que arranjar ideias.

Porquê escrever

Foram vários os motivos que me levaram a escrever isto. Um deles é que, embora abalada, resolvi manter a minha atitude de procurar ver as coisas positivas desta situação. Agora vêm-me ao pensamento alguma ideias:

  • obriga-me a descer da minha soapbox de onde costumo pregar às massas sobre tudo e mais alguma coisa. A humildade é uma virtude em que preciso de crescer;
  • relacionado com isto está a história de ver primeiro a trave no meu olho antes de ver as farpas nos olhos dos outros. Faz com que eu seja mais compreensiva e compassiva com os outros;
  • é um exercício mental interessante este de procurar soluções para esta situação;
  • ter um obstáculo complicado para ultrapassar é um bom exercício. Sempre gostei de resolução de problemas. Há que pôr a cabeça a trabalhar.

Outro dos motivos que me levaram a escrever este texto é o querer viver com transparência. Tenho a ideia que sempre vivi um bocado a medo, sempre a achar que se as pessoas soubessem como eu sou isso seria mau. Há cerca de um ano fiz uma promessa a mim própria que não iria esconder nada sobre mim. Não iria viver com medo de ser descoberta. Não podia viver sob chantagem. Iria dizer e agir de acordo com o que sou. Se as pessoas não gostassem de mim, paciência. Mas não iria cair na insinceridade. Tenho-me esforçado sempre por dizer toda a verdade, sem disfarçar nada. Às vezes até tenho receio de dar uma impressão errada e corrijo ou reforço a verdade. Não quero cair no erro de tentar disfarçar seja o que for.

Presente

Não gosto mesmo nada desta situação. Mas uma coisa é certa, não me estou a queixar, nem um bocadinho. É uma situação 100% da minha responsabilidade. Fui eu que me meti neste buraco e sou eu que tenho que daqui sair.

Também não vale de todo a pena recriminar-me. A culpa é minha, está certo, pronto. Mas nada adiante estar a flagelar-me. Agora tenho é que pensar em estratégias para daqui sair.

Pensar, pensar. É mais um dos motivos porque resolvi escrever isto. É que só consigo pensar escrevendo. Penso com os dedos, está visto.

Em primeiro lugar tenho que pôr a minha wishlist a congelar. Logo agora que o meu iPad está em coma e o meu telefone também já coxeia. Quero um iPad mini wifi (128Gb) e um iPhone SE (64Gb). No congelador. Quero vários livros e audiobooks. No congelador. Preciso de umas coisas, roupa sobretudo. No frigorífico porque algumas hei-de mesmo que ter que comprar. Se puder evitar, melhor. Alguns fios que gostaria de experimentar: Shetland, Mongolia3, Avalon, etc. No congelador.

Futuro

Neste momento resolvi que, em primeiro lugar, vou escrever as minhas dívidas e contas todas numa folha EXCEL. Depois, sempre que fizer um pagamento, vou assinalando na folha. Vou voltar a pôr as contas todas no YNAB (aplicação). Sempre que o uso, as coisas funcionam bem. Quando paro, funcionam mal. É óbvio o caminho a seguir.

Vou também apontar todos os gastos mínimos que fizer. Sempre que fizer algum gasto, assento o que gastei. Isto até parece um jogo de sobrevivência, versão soft. Vamos ver como é o meu desempenho.

Estou absolutamente entusiasmada com esta ideia de me endireitar.

Normalmente ficava de rastos e deprimida perante estes problemas, mas neste último ano acho que cresci um bocado. Ando mais bem disposta. Agora então deve ser o sol. Enquanto é suportável, gosto desta luz. Hoje o dia está magnífico. Abri as janelas dos dois lados da casa para arejar. Claro que já estou a esfregar o nariz e os olhos por causa das alergias primaveris, mas não é nada de grave. Estou bem disposta e com vontade de assim continuar.

Hoje, quando passeava de manhã, tive a ideia de ir escrevendo aqui relatos frequentes (uma ou duas vezes por semana, talvez) deste processo de saída do buraco. De momento estou absolutamente animada, mas como diz a minha cunhada, eu sou louca.

De volta à encomenda

A Filomena foi uma querida! Enviou-me não só a tal meada que levou a esta descoberta, como duas outras meadas como patrocínio para o KAL do podcast. Enviou uma para mim e outra para sortear entre as participantes do KAL que concluírem o projecto. Desta vez vou ensinar a fazer um gorro.

Só vou abrir a encomenda quando lhe tiver pago o que lhe devo.

 

NOTA: Este texto foi começado no dia 28, daí as referências ao dia maravilhoso que estava.

 

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No blog Wait but why, Tim Urban, em diversos posts (The End Tail, Your Life in Weeks) mostra-nos visualmente quão pequena é a nossa vida, quão pouco é o tempo que nos sobra, mesmo que vivamos até aos 90 anos.

Só para terem uma ideia, se eu viver até aos 100 anos, só vou passar mais 11 vezes pelo dia 29 de Fevereiro!

Estamos de volta ao Séneca e a sua De Brevitate Vitae.

Depois de ter lido ontem o artigo sobre as semanas que me restam até ao fim da minha vida, pus-me a pensar que já que é tão pouco não o posso desperdiçar em maus momentos. Todos tem que ser bons, nem que seja à força. Isto faz-me lembrar um título de um livro que há uns tempos vi: Furiously Happy (Jenny Lawson).

São inúmeras as vezes que li, ou vi em filmes, alguém dizer que não está “propriamente a defender uma atitude de Pollyanna.” E eu pergunto: porque não? Quando era pequena gostava imenso da série que dava na televisão e queria ter os cabelos como os da protagonista.

Procurar gozar cada momento, independentemente das circunstâncias, não é enterrar a cabeça como as avestruzes para não ver a realidade. É procurar apreciar o que há de positivo em cada situação. Os budistas dizem que a dor é inevitável, mas o sofrimento não.

Um problema que as tricotadeiras não têm é esperas longas e trânsito entupido. Antes pelo contrário, por vezes protestamos porque os médicos não se atrasam e o autocarro chega demasiado cedo. Sabem-nos tão bem esses momentos oficiais de seca.

Ontem estive mais de cinco minutos para conseguir que a chave rodasse numa fechadura. Resolvi pôr em prática a minha ideia de gozar o momento. Comecei a pensar que gostaria de perceber bem com é que uma chave abre uma fechadura, o que acontece para que por vezes tenhamos dificuldades em abrir uma porta porque a chave não roda, etc. e tal. A certa altura dei por mim a ver-me a abrir aqueles cofres com fechos rotativos. Lá estava eu com a orelha encostada à porta do cofre, a rodar o fecho lentamente… Pois… O que me vale é que tinha ido cedo para a aula, se não ter-me-ia atrasado imenso porque a imaginação de uma pessoa com a propensão para se distrair (só um poucochinho) é algo de perigoso.

Mas a verdade é que fiquei de bom humor quando normalmente teria ficado irritada com a chave, a fechadura e a porta. Não é que elas se importassem muito, mas entrar para uma aula com a disposição já azeda não é o mais justo. É meu princípio dar sempre a oportunidade aos meus alunos de serem eles a irritarem-me.

Na verdade, procurar ver os aspectos positivos de cada momento até que é uma maneira simpática de viver.

 

Como prolongar a vida por mais 10 anos

Hoje ouvi um episódio do Tim Ferriss Show, um dos meus podcasts favoritos. Para quem como eu gosta de aprender, vale a pena subscrever este podcast.

O episódio que ouvi hoje foi com a Jane MacGonigal, gamer, game designer, autora dos livros Reality is Broken e Superbetter. Tudo o que disse no podcast foi interessantíssimo. Mas uma das coisas que mais me chamou a atenção foi os benefícios para a saúde que os jogos podem ter. Aliás, já incorporei na minha rotina diária o que ela recomenda: 2 doses de 10 minutos de Tetris por dia.

Para conhecerem um pouco do que fala, vale a pena aceder ao site http://showmethescience.com/ e ver o TED talk dela.

Mas vale a pena ouvirem o podcast também pois vai bastante mais além. Além disso é divertido. Hoje dei uma gargalhada no autocarro quando ouvi falar de budhist special ops force.

Já pus o livro Superbetter na minha wishlist do Audible para comprar quando receber novos créditos na minha conta.

 

Uma amostra

amostra

Hoje queria escrever sobre a palavra que aprendi ontem: multipotentialite. Acho que me retrata completamente. São tantas as coisas que me atraem que talvez por forma a equilibrar-me eu me sinta tão atraída pelo minimalismo e a palavra FOCUS. Esta vai ser a palavra da Primavera. Tenho que fazer um spread no meu bullet journal com a palavra no centro.
Depois vêm as contradições: adoro escrever no computador mas adoro cadernos e canetas; adoro viajar mas adoro estar em casa; gosto de filmes, séries, ler tanto literatura clássica, ficção moderna, fantasia e ficção científica, não ficção, coisas leves, coisas pesadas; adoro aprender e estudar na maior parte das áreas das ciências e das artes, sou curiosa e gosto de explorar as coisas em profundidade; gostava de saber todas as línguas do mundo, preciso de mais tempo para estudar; gostava de aprender danças de salão (clássicas) e gostava de aprender a tocar piano; adoro audiobooks; gosto de podcasts sobre uma imensidade de temas; gosto de artes manuais, sobretudo na área dos têxteis. Este ano quero aprender a costurar. O tricot é aquilo que eu gosto mais. Adoro planear e talvez por ter tantos gostos, tantos interesses, gosto de tudo o que tem a ver com produtividade. Gosto de dar aulas, gosto de aprender o mais possível sobre como ensinar melhor o inglês. Gosto de cozinhar e das lides domésticas em geral. Gosto de ser eficiente nestas. Gosto de ter poucas coisas, mas todos estes interesses tornam necessário ter coisas, mas são coisas que me dão prazer. No entanto, tenho uma luta constante para não adquirir coisas a mais. Vou continuar a reduzir todas as minhas posses, até para ter lugar para coisas que uso mais e para coisas novas que quero experimentar. Adoro livros mas agora só compro audiobooks e e-books por causa do espaço que ocupam. Também deixei de comprar DVDs, salvo raras excepções. Compro filmes no iTunes. Adoro kitchen gadgets mas reduzi-os em mais de dois terços. Não gosto de âncoras, nem de coisas que me prendam. Mas estou sempre a descobrir tachos e panelas que me atraem. No outro dia vi uma frigideira de terracota que me atraíu imenso. Vou ter que me livrar de uma frigideira que tenho para poder comprar aquela. Acho que já sei qual vai ser a vítima. Todos estes interesses fazem com que sinta uma grande pressão com a falta de tempo para prosseguir tudo o que gosto de fazer. Por vezes exaspero, depois começo a planear. Adoro planear. Viagens, conhecer países e espaços novos. Uma vez que nos próximos tempos não o posso fazer, pois vou ter que me endireitar dos vários rombos financeiros mais recentes, resolvi que vou estudar a fundo um país por cada estação. Nesta Primavera vai ser a Escócia. Como, quando tinha 5 anos, decidi que era o meu lugar favorito e eu sou normalmente de ideias fixas, vou começar por aí. Tenho um daqueles livros da Dorling Kindersley com muitas indicações turísticas. Vou lê-lo de fio a pavio, vou também ler sobre a história e a língua do país, vou ler literatura clássica e moderna também. Vou tricotar o mais possível com lãs escocesas. Tenho algumas, mas poucas. Bom, o mais difícil vai ser conjugar tudo isto com as outras coisas todas de que gosto. Enfim, tenho que escolher filmes e coisas do género também passados na Escócia. Vai ser uma Primavera divertida.

Isto é uma amostra do chamado stream of consciousness que todas as manhãs tenho que despejar no papel e no computador para poder sobreviver no dia a dia. Quando não o faço, o dia não corre nada bem.
Eu disse uma amostra… A extensão é muito maior, e o caos também. Escrevo sem parágrafos e com uma pontuação muitas vezes arbitrária, numa mistura de português e inglês, mas tenho que escrever. Corro o risco da cabeça explodir e, pior, atingir os que me rodeiam se não o fizer.

Fazer a cama?

Mal ponho os pés no chão, quando acordo, faço a cama.

Eu faço a cama porque a desordem dos espaços cria uma sensação de caos em que me sinto afogar. A minha dispersão mental não se coaduna com a desordem exterior. Deve ser uma questão de equilíbrio. À desordem interior contrapõe-se a ordem exterior.

Há também o síndrome da janela partida. Se numa zona da cidade se partir uma janela e não se reparar imediatamente, logo aparecem 2 ou 3 partidas. A desordem cria uma desordem maior se não se puser um travão. A degradação é um fenómeno gradual mas certo.

Se a cama estiver feita, é mais fácil manter o resto do quarto arrumado. E se o quarto estiver arrumado, é mais fácil manter a casa em ordem.
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Recentemente tenho ouvido muito falar de que a acção pode preceder a emoção. Fazer a cama, por mais ridículo que pareça, dá-nos uma sensação de tarefa cumprida que pode em muito melhorar a nossa disposição.

É uma vitória. E as vitórias, por mais pequenas que sejam, aumentam a nossa auto-estima.

É também uma pequena tarefa cumprida, o que leva a uma segunda, e aí por diante.

É por isso que fazer a cama faz parte do treino dos SEALS.

“Se quiserem mudar o mundo, comecem por fazer a cama.” (U.S. Navy Adm. William H. McCraven)

Dor aguda vs. dor crónica

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Um dos meus podcasts favoritos é o Unmistakable Creative. Hoje ouvi um episódio em que o entrevistado era Kary Oberbrunner. Foi um episódio que me tocou muito de perto porque, entre outras coisas, falava de perfeccionismo e de autosabotagem. E isto toca-me assim como um martelo de bola em cheio na cabeça.

Mas adiante… O que queria escrever hoje era sobre o conceito das duas dores, de que Kary Oberbrunner fala neste episódio.

Ele dá o exemplo de uma pessoa que tem dores crónicas nas costas e que vai ao médico. Este diz-lhe que para deixar de ter aquelas dores ele vai ter que fazer determinados exercícios que vão custar muito e causar dores agudas, mas depois ficará curado e deixará de ter dores definitivamente.

O que acontece a maior parte de vezes nestas situações? Fugimos da dor aguda e optamos pela dor crónica da qual passamos a vida a queixar-nos.

Lembrei-me das pessoas que estão constantemente a queixar-se de que têm que emagrecer, que deviam comer mais saudavelmente, que bla bla bla. Mas não fazem o que sabem que têm que fazer para o conseguir. E queixam-se constantemente de estar gordos e de comerem mal. Ou as pessoas que sabem que devem fazer exercício físico para estar em forma, mas levantar-se cedo para o fazer custa e depois os músculos doem (dor aguda) e por isso preferem passar a vida a queixar-se de estarem em má forma.

É como sempre uma questão de opções. E a propósito termino com uma citação do que ouvi no podcast: “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional.”

 

A minha manta e eu

A minha manta de quadrados está finalmente a arrancar e sem dúvida que a culpa é do #quaresmini16.

Este projecto é, em primeiro lugar, um jogo para o qual um grupo de amigas se resolveu aventurar. Inspiradas nos calendários do Advento, resolvemos fazer um calendário da Quaresma. E tem lógica: são ambos tempos de espera. No outro aguardávamos o Natal, neste a Páscoa; no outro o Inverno, neste a Primavera. Aceitei a proposta de fazer 40 minimeadas para trocar sem grandes racionalizações. Atirei-me de cabeça, ou melhor, de coração.

Depois foi a espera de receber as minis. A surpresa quando chegaram! A partilha entre todas do que chegou foi só por si uma festa. Combinar a forma como vamos abrir cada um dos pacotes misteriosos foi como se fossemos ainda miúdas e estivessemos a combinar as regras do jogo que iríamos começar.

O mistério do que está em cada embrulho é mais um factor aliciante. É quase um cerimonial a abertura de cada um, a descoberta do que lá está e a partilha entre todas. É como receber um presente de que gosto muito e mostrá-lo a outras pessoas que também o sabem apreciar.

Gosto muito de fios, e descobrir novos fios, novas cores, todos os dias é um prazer imenso. Partilhá-lo com as pessoas certas é outro prazer enorme. Põe-me bem disposta, alegre, a rir.

E depois claro o gozo de tricotar um fio novo, vê-lo transformar-se num quadrado. O fio é lindo quando está ainda em meada ou novelo, e gosto de o namorar nessa forma. Mas depois pegar nele e transformá-lo é um gozo enorme.

O quadrado é fácil de tricotar, não requer muita atenção, é um tipo meditativo de tricot. Noutro post falarei dos inúmeros tipos de tricot, uma das qualidades que o torna uma fonte infinita de coisas boas.

Ver as mantas crescerem é mais um episódio. Cada uma tem a sua manta em diferentes estados. Há as que já a têm com mais de 100 quadrados, há as que quem como eu estão a começar. São todas lindas e é divertido vê-las crescer. Mais uma vez gosto de partilhar e comentar os quadrados e as mantas das outras.

Com o frio é bom ter a manta no colo enquanto a tricoto e é bom imaginar o futuro em que poderei enrolar-me nesta manta tão vivida.

Cada quadrado é como uma fotografia em que fica gravada a história do fio, onde foi adquirido e em qual projecto é que foi usado. São histórias e memórias que vamos trocando umas com as outras. E novas histórias se vão tecendo ao tricotar cada quadrado.

E sinto-me tão virtuosa por estar a aproveitar todos os pedacinhos do fio, uma matéria prima preciosa. Aliás, a par desta manta de restos estou a fazer outra com os restos dos restos.

E por fim começo a imaginar futuras mantas. Acho que a seguir a esta vou fazer uma toda em tons de verde.