Dia 7/40

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Fio: My First Regia

A mim só me fez pensar em Legos o tempo todo.

 

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Dia da asneira!

Há dias que se não fossem vividos seriam difíceis de imaginar.
Na terça-feira almocei à pressa e mal. Além disso estava com sono.
Na última aula da tarde disse tantos disparates que até me custa acreditar! Deu-me um ataque de riso porque queria dar exemplos de determinada estrutura e não conseguia. Um aluno chegou a dizer com imensa graça: “Isto hoje não está a correr muito bem.” Outro dizia: “Quer que a gente chame outro professor de Inglês?” O resto da turma dizia para eu me sentar e descansar. E eu continuava a rir-me às gargalhadas e a pensar que seria giro ser uma aula assistida.
Mas na verdade todas as aulas o são e pelos que mais interessam: os alunos.

Heranças

As turmas herdadas são difíceis. Vêm com maus hábitos e não estão habituadas a trabalhar o mínimo. Confesso que é algo que não entendo. Será que as turmas que abandono se portam assim também? Ou serei a última bruxa?

Também me surpreendem pela positiva

Quando um aluno, que desconhece uma língua estrangeira, faz um esforço enorme e perante uma turma inteira diz em voz alta meia-dúzia de frases nessa mesma língua, para mim demonstra uma coragem admirável.
Hoje foi com agrado que vi uma turma, quase na sua totalidade (4 alunos passaram), participar activamente num trabalho nada fácil.
Gostei.

Ainda me conseguem surpreender

O início de cada ano lectivo obedece para mim a um certo ritual que, como disse anteriormente, é mais acidentado com alunos que não me conhecem.
Uma das coisas que faço é expor o mais claramente possível como é que é feita a avaliação. Os alunos ficam logo a saber quais as linhas com que se cosem.
Invariavelmente há sempre alguns protestos quando falo dos testes orais, por mais que lhes explique que normalmente os alunos que têm mais dificuldades beneficiam sempre da avaliação da oralidade.
À medida que o ano vai progredindo, acabam por se acalmar.

Este ano, contudo, conseguiram surpreender-me. Perguntaram-me se os testes eram em inglês. Quando lhes perguntei se os preferiam em chinês responderam-me: “Mas no ano passado apresentávamos os trabalhos em português. Nós nunca falamos em inglês. Nunca tivemos aulas em inglês.”
Isto vindo de alunos que estão, pelo menos, a frequentar o sétimo ano de Inglês!

Confesso que reagi um bocado intempestivamente com um:
“Serviu-vos de muito!”
Não o devia ter feito.

Fado

Este ano tenho mais turmas e mais alunos.
Das turmas que tenho, quatro são novas para mim. E como sempre o início do ano com turmas novas é mais complicado.
É por esta altura que eu me farto de ouvir o fado intitulado “Mas todos os outros professores…”

“Mas todos os outros professores nos deixam sair mais cedo.”
“Mas todos os outros professores não nos fazem escrever na aula de apresentação.”
“Mas todos os outros professores não fazem teste de diagnóstico.”
“Mas todos os outros professores sabem que o Inglês é um peixe em vias de extinção que não se encontra no Atlântico e é por conseguinte impossível de pescar.”